A infância não é apenas uma fase que atravessamos e deixamos para trás, é um território que habitamos a vida inteira, presente em cada gesto, em cada palavra que usamos para dizer quem somos. É lá que aprendemos, pela primeira vez, a transformar o que sentimos em imagem, em som, em história. A palavra e a imagem não são apenas ferramentas de expressão: são os pilares pelos quais o psiquismo humano se constitui.
Estes livros nasceram de um encontro real, meu com meus filhos, mas ultrapassam esse ponto de partida. O que começou como uma tentativa de comunicação diante de um contexto inicial atípico que se apresentava, revelou algo que diz respeito a todos nós: é brincando, desenhando, inventando histórias que qualquer criança (e qualquer adulto que um dia foi criança) encontra um lugar para o que ainda não tem nome.

O Grande Desafio das Pequenas Coisas (2017). Teve inicio na interação dos autores Lucas Tannuri (pai) e Marina Tannuri (filha).
A Marina é autista e, com o intuito de criar uma comunicação com a filha, Lucas passou a criar desenhos a partir de objetos que a Marina se interessava e pegava pela casa e os guardava, a principio, de uma maneira que parecia muito aleatória. Juntos criaram histórias em um livro que pretende ser também um objeto de interação, reflexão e elaboração de sentimentos, com poesias, desenhos, espaços para colorir, recortar e interagir.

Quando Marina perde o Sono (2022). O segundo livro se chama “Quando Marina perde o sono”. Foi lançado em 2022 e conta a história de uma garota que, com medo de se entregar ao sono, com medo que o dia termine e já ansiosa para que outro comece sem antes ter uma pausa, uma pequena morte, ela entra em um universo onírico com diálogos e reflexões com elementos da natureza. O livro conta também com uma animação que complementa a história e que pode ser acessado através de um QR Code pelo celular do leitor.

O Grande Desafio das Pequenas Coisas 2 (2022). Uma continuação do livro lançado em 2017 que teve a participação ativa do Gael, irmão mais novo da Marina que conviveu e revisitou esse lugar de criatividade e trouxe sua maneira singular de compreender, traduzir e somar.

Onde há mar (2025). Um livro poesia que fala da importância de abrir o horizonte e sair da “verticalização”. Abrir um livro é muitas vezes também um gesto de ampliar horizontes. Apresentar horizontes é também um gesto de amor.
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O trabalho com literatura infantil se desdobrou dando origem a Desafios da Criação ao lado de minha esposa Larissa. Acesse o site para conhecer mais.